Biocombustíveis, renda e ganhos para a saúde
Durante a 14ª Expodireto aconteceu o Simpósio da Agroenergia no RS, tendências e rumos da agroenergia gaúcha. Na ocasião estiveram reunidas as entidades que fazem parte da cadeia da agroenergia do Estado, dentre elas a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA/RS).
A Câmara Estadual da Agroenergia, ligada a SEAPA/RS esteve inclusa no debate. E segundo o Coordenador da Câmara Estadual da Agroenergia, Valdir Zonin, em 2012 o Rio Grande do Sul produziu mais de um bilhão de litros de biodiesel, consumindo 5,5 milhões de toneladas de grãos. Conforme Zonin, o Estado tem condições para aumentar em 50% essa produção em curto prazo, e vir a suprir a demanda do mercado interno e caso haja excedente há planos para exportação. O biodiesel, produto genuinamente gaúcho gera ICMS, emprego e renda para o Estado e Municípios, e, sobretudo, a produção de biodiesel oferece a possibilidade de deixar o produto gaúcho em solo estadual, agregando valor ao produto.
O combustível da Copa. Dos biocombustíveis o biodiesel é o produto que mais recebe incentivos no momento. A Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) é parceira do Ministério dos Esportes na inclusão do biodiesel nos veículos estatais em atividade durante o Campeonato Mundial de Futebol.
O projeto inicial de biodiesel era que o governo investisse em energias alternativas, mas optou pelo uso de óleo de soja, que é produto nacional em abundância. A soja usada para biodiesel não implica em perdas para o consumo humano, ao produzir óleo de soja é produzido também o farelo de soja, alimento animal. Sabe-se que o consumo de proteína animal está em ascendência e o aumento da produção de farelo de soja ajudaria o setor
pecuarista. O biodiesel oferece garantia no preço ao produtor de soja e garantia de alimento ao produtor de animais. “Quando defendo o aumento da mistura obrigatória, defendo esse contexto, toda a cadeia produtora, e não as empresas produtoras de biodiesel", explica Klein. Também em defesa desse aumento, explanou o Diretor Superintendente da Aprobio, Júlio
Minelli. Segundo ele, o biodiesel além de gerar renda para o produtor, é um combustível com baixa emissão de poluentes, inclusive quando misturado ao diesel comum e também tem maior poder de lubrificação se comparado ao diesel S10, diesel com menos teor de enxofre.
Composição do biodiesel. Atualmente a frota nacional utiliza B5 (95% diesel e 5% biodiesel). O biodiesel é composto de 75% de soja, 20% de gordura animal e 5% de outras oleaginosas, como o algodão.
Qualidade. Em São Paulo há cerca de seis mil ônibus rodando com 100% biodiesel, e em Curitiba mais de 100 ônibus rodando sem problema, segundo Minelli. Outra vantagem é o alto poder de lubrificação, o diesel com menor teor de enxofre, o S10, tem menor poder lubrificante, portanto, ao misturar biodiesel, este serve como um aditivo, pois o biodiesel é muito mais lubrificante do que o S10. O gasto do biodiesel é o mesmo que o diesel comum, e tem a vantagem de ser menos poluente.
Demanda de grãos. O RS é um grande produtor de soja, mas se mantém 40% de exportação de grãos. Segundo o Secretário Estadual da SEAPA, Luiz Fernando Mainardi, o Estado o excedente de soja, hoje, é suficiente apenas para produzir B10 (90% diesel, 10% biodiesel). Mas os participantes do simpósio sugerem que seja usada parte do produto de exportação para fabricação de biodiesel.
Lucros. Segundo estudos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) a produção de biodiesel gera 113% mais empregos e 35%mais de PIB, do que a produção de diesel comum.
Maior uso no Estado. A Aprobio tem realizado reuniões com a prefeituras das capitais, inclusive Porto Alegre, para persuadir os governos a incluir o uso de biodiesel em grande proporção em sua frota municipal. A proposta é ainda mais aplicável se implementada em frotas de pequenos municípios.
Pequena desvantagem. O preço do biodiesel é maior do que o diesel comum. Mas se levarmos em conta a diferença para a saúde, e o retorno para a agricultura familiar, a diferença de preço é muito pequena, aponta Minelli. Atualmente o Brasil importa 19% de diesel consumido, o biodiesel oferece agregação de valor ao grão produzido. Segundo o diretor superintendente da Aprobio, os custos do biodiesel no leilão é 15% acima, mas hoje, é acrescido apenas 5% na mistura, tornando ínfima esta diferença.
Aumento da mistura obrigatória. No debate foi apontada a importância de aumentar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum. A Aprobio estudou o uso de B20 (80%diesel,
20% biodiesel) em diversos tipos de motores e comprovou que é possível usar esta composição sem problemas para a mecânica do veículo. Segundo Odacir Klein, participante da Câmara Nacional do Biodiesel, o fato de permitir o aumento na mistura obrigatória não quer dizer que será obrigado a misturar 20% de biodiesel no diesel, os produtores exigem uma lei que autorize o aumento da mistura e incentive uma maior produção de grãos.
Outros produtos:
Canola: Segundo o Secretário Estadual, a canola tem a vantagem de ser industrializada no Rio Grande do Sul, desta forma gera mais ICMS. Seu mercado é cativo, toda a produção tem consumidores antes da colheita. Além de que o óleo e o farelo são mais nutritivos para o consumo do que os produtos da soja. Seu uso no biodiesel já está em uso em outros países, mas seu cultivo no Brasil precisa ser adaptado. Segundo o chefe-geral da Embrapa-Trigo,
Sérgio Dotto, a canola se encaixa perfeitamente a essa região sul do Brasil, já que, região sul 2/3 da área plantada no verão não são cobertas com culturas rentáveis no interno, e o cultivo da canola poderia ocupar estas áreas. Segundo Dotto, a Embrapa tem importantes estudos para melhorar a produtividade da Canola, mas o grande problema enfrentado é manejo da cultura, pois a canola é uma planta que tem uma semente muito pequena, que requer implementos agrícolas específicos. Atualmente no Estado há 30 mil hectares cultivados, mas
pode chegar a 60 mil. "Nós da Embrapa, juntamente com outras entidades, vamos nos esforçar em desenvolver esta cultura, para que possamos ter melhores resultados", compromete-se Sérgio Dotto.
Etanol. O etanol é outro biocombustível, Segundo Zonin, o governo estadual investiu, no ano passado, mais de 720 milhões de reais em seis indústrias localizadas em Cristal, Santo Antônio da Patrulha, Caxias do Sul, Dom Pedrito, Itaqui e Capão do Leão. A capacidade de produção de cada uma delas será de 100 milhões de litros de etanol, juntas abastecerão 46% do mercado gaúcho de etanol. O etanol gaúcho é produzido a partir de arroz AB 11047 (variedade, imprópria para o consumo, mas de alta produtividade), sorgo, trigo, triticale,
batata-doce; culturas mais rentáveis do que a cana de açúcar. “Esse etanol deixará de ser trazido de outros estados, e oferecerá desenvolvimento para para os municípios dessas regiões” afirma Zonin.
Biogás. Outro biocombustível é o Biogás, produto pouco produzido atualmente no Estado, segundo o coordenador da Câmara Estadual da Agroenergia, o estado vem buscamos alternativas para desenvolvimento da energia local.
Girassol. Segundo o tesoureireiro da Associação dos Fumicultores do Brasil (AFUBRA), Marcílio Drescher, a Associação já produz biodiesel com girassol, com equipamentos próprios. O chamado Projeto Girassol tem uma pequena frota de caminhões e tratores, que funcionam com B100 sem qualquer alteração nos motores.
O diretor-superintendente da Aprobio, Júlio Minelli, afirma que para que seja possível produzir B20 (80%diesel, 20% biodiesel) serão necessárias outras fontes de energia além da soja, sendo a alta produção de canola essencial, caso o Brasil queira exportar biodiesel. Minelli resume as perspectivas para os biocombustíveis, segundo ele, "o mundo precisa de todos os tipos de energia, mas o quanto pudermos alongar as reservas de petróleo, não sofreremos
com a sua falta. Além de alongar a nossa vida, poupar a nossa saúde, pois o biodiesel polui menos."
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