terça-feira, 9 de abril de 2013
Entrevista Ping-pong
Logística, a complementaridade dos modais
A logística é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, e os portos tem um importante papel na logística nacional. E para que o Brasil continue crescendo é necessário que todo o país aprimore as estruturas logísticas, não apenas a logística portuária, as rodovias ainda são essenciais, entretanto é necessário oportunizar o transporte ferroviário de norte a sul, bem como o hidroviário, para ele os modais são complementares, é o que defende o diretor superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Silva Lopes. Segundo
ele, 60% de toda a produção de soja trafegam por rodovias, 5% por hidrovias e 35% por ferrovia, desta forma o processo de cabotagem, navegação entre portos de um mesmo país, deveria ser uma prioridade. Conheça a logística portuária, a seguir, na entrevista com o diretor superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Silva Lopes.
ExpoRevista - Qual o principal objetivo do Porto de Rio Grande em relação à logística?
Dirceu Silva Lopes: O Porto de Rio Grande é o único no Brasil que recebe produtos de todos os modais, rodoviário, ferroviário, hidroviário. Queremos atentar o Governo Federal e o Estadual quanto à importância da qualificação das hidrovias. O Porto está qualificando sua infraestrutura de navegação, de aportagem e de armazéns, também precisamos fazer correções e aprofundamento de alguns canais e eclusas, para isso é preciso que os
Governos, em parceria com a iniciativa privada, aportem recursos financeiros para qualificar as hidrovias e dar condições de navegabilidade. Além do aumento de calado e da correção de alguns leitos de rios, nós precisamos sinalizá-los para que tenhamos condições de navegação noturna. E esse será um diferencial em relação ao resto do país. Esse é um dos objetivos que o Porto de Rio Grande está trabalhando junto aos Governos Estadual
e Federal. Para contribuir no processo de desenvolvimento socioeconômico deste país, estamos fazendo com que o porto funcione e seja um indutor de desenvolvimento.
ExpoRevista - No Brasil o transporte que está diretamente ligado a questão da logística, as ferrovias seriam o transporte mais econômico e barato e nosso país, que tem um litoral tão extenso, poderia construir mais hidrovias, o senhor concorda?
Dirceu: Temos que trabalhar na complementaridade de modais, dado que, o trem e a embarcação não vão à porta do agricultor, precisamos dos caminhões. Precisamos trabalhar a complementaridade em um processo organizado, planejado, em que a logística funcione no tempo necessário para o escoamento da produção, de forma agendada e que possamos tirar o melhor proveito desse processo. Eu acredito muito no processo de planejamento de curto, médio e longo prazo, precisamos olhar para o presente, mas com planejamento estratégico de futuro. Os gestores estão convencidos de que para continuar crescendo o Brasil precisa de organização e planejamento. Sobre as ferrovias, o Governo Federal decidiu estender a ferrovia norte-sul, e esse é um ganho para o sul do Brasil, porque essa ferrovia irá ao Porto de Rio Grande.
ExpoRevista - Haverá algum investimento em hidrovias, em curto prazo?
Dirceu: O Governo Federal, através do Ministério dos Transportes e o Plano de Aceleração do Crescimento, irá investir R$ 245 milhões nas hidrovias do Rio Grande do Sul. Precisamos otimizar esse recurso e colocar em funcionamento a maioria das hidrovias. Os projetos foram aprovados, e assim que os recursos forem disponibilizados iniciaremos a implementação das obras.
ExpoRevista - Como o Porto de Rio Grande pode influenciar para redução do Custo Brasil?
Dirceu: Otimizando o seu processo de operação portuária, capacitando seus operadores, otimizando os seus equipamentos, inovando tecnologicamente, tanto no processo de certificação, quanto liberação e agilização das mercadorias. E o Governo Federal através do Ministério dos Portos está trabalhando no Projeto Porto Sem Papel, para desburocratizar o processo de liberação de cargas. À medida que, conseguirmos isso certamente nós vamos
contribuir para a diminuição do Custo Brasil. Criou-se uma falácia na questão dos portos, que os portos são inoperantes e caros, isso não é verdade, os portos são os responsáveis pela importação e exportação. No Porto de Rio Grande os operadores e agentes são capacitados. A solução para a diminuição do Custo Brasil é a soma dos esforços de todos os envolvidos no processo de preparação da logística e dos modais, ou do processo de operação portuária. Precisamos ter maior agilidade nos processos de operação portuária, devemos
trabalhar de forma coletiva e solidário de resolução desses gargalos.
ExpoRevista – Quais os próximos investimentos no Porto de Rio Grande?
Dirceu: Através do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o Governo Federal instituiu o Plano Nacional de Dragagens II, onde derivou R$ 1 bilhão para ser aplicado em dez anos no Porto de Rio Grande, serão 100 milhões por ano, para requalificar o canal, e a sinalização. O Porto de Rio Grande terá canais de 18 m, 17m, 16m e 14m, e poderá atrair navios de maior porte e terá condições de escoar a produção com maior rapidez. Também através do PAC,
serão destinados R$ 1,140 bilhões para os portos de Rio Grande e Porto Alegre para qualificar as estruturas de armazenamento, pátio, equipamentos, e para projetos de gestão. No Porto de Rio Grande será remodelado um novo pátio automotivo, liberando o pátio atual para cargas em geral. Outro projeto é a concepção de um complexo portuário, na Ilha de Terrapleno, do tamanho do complexo portuário atual, e iremos trabalhar na capacitação profissional.
ExpoRevista - Além do crescimento vocês também terão um crescimento dos recursos humanos?
Dirceu: A ideia é que a gente trabalhe nesse setor, na gestão, para o envolvimento e o cuidado com a saúde do trabalhador, para a questão ambiental que é muito importante. Estamos trabalhando todo um processo de sustentabilidade ambiental. Vamos precisar de profissionais que atuem na área da segurança da navegação e da segurança ambiental. Estamos qualificando os profissionais para possíveis sinistros no Porto.
ExpoRevista - O Brasil de modo geral sofre com o sucateamento dos portos, além dessas medidas, que outras seriam necessárias, o que está sendo feito para melhorar as estruturas portuárias?
Dirceu: Por muito tempo não houve investimento nos portos, o que gerou degradação. No Governo Lula, a Secretaria de Portos iniciou projetos para o desenvolvimento do setor e hoje o Governo Federal investe quase R$ 100 bilhões para qualificar e agilizar os portos nacionais.
ExpoRevista - Muitos equipamentos são produzidos aqui no Estado, com essas melhorias na logística será possível melhorar as exportações?
Dirceu: Grande parte dos maquinários exposto, aqui na Expodireto, é exportada pelo porto de Rio Grande e os progressos previstos reduziriam os riscos operacionais, nossa meta é estamos cada vez mais qualificados. O Porto de Rio Grande se destaca por ser o porto com menor avaria de cargas do Brasil, isso dá segurança para que o dono da carga possa exportar com maior tranquilidade porque sabe sua carga vai ser tratada com a maior parcimônia e trato. Nossos profissionais conhecem forma como cada produto deve ser
transportado, para isso, oferecemos processos contínuos de capacitação.
ExpoRevista - A importância do estande do Porto de Rio Grande na Expodireto?
Dirceu: Nós este ano pretendemos bater o recorde histórico de chegando a 34 milhões de toneladas. A Feira é uma boa oportunidade para apresentar o Porto, porque 35% do que é movido pelo Porto de Rio Grande, grãos, maquinários e outros produtos de valor agregado, está expostos aqui. Queremos apresentar aos visitantes os processos de exportação e a operação portuária. Mostrar que o Porto está localizado no município de Rio Grande,
mas ele é o porto dos gaúchos, e tem relação direta com o desenvolvimento de cada região do Estado. Também queremos aproveitar a reunião negociantes de diversas nacionalidades, proporcionada pela Expodireto.
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