sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Fermento na renda


Comércio de produtos de beleza, venda de alimentos nas ruas e prestação de serviço em horários de folga são algumas formas para complementar a renda familiar

Vendedor de Churrasquinho da Redenção
Valter Borges, o churrasqueiro do Parque
Valter Borges é um fiscal aduaneiro aposentado. Há nove anos, ao fim da tarde, ele instala a churrasqueira móvel no Parque da Redenção. Com a aposentadoria e a venda do churrasquinho, Valter já formou uma jornalista, uma advogada e agora ajuda o filho mais moço a cursar medicina da UFRGS. O churrasqueiro do Parque afirma que os materiais de estudos do futuro médico são caros, e a renda do churrasquinho vêem para sustentar as despesas da casa.
O tempero da carne era aperfeiçoado, por Valter, há muitos anos. Ele afirma que A Marinha Mercante o levou para vários países, sendo ele, o comandante oficial da churrasqueira dos amigos.  Hoje ele oferece esse sabor especial em espetinhos de carne de gado e frango, coração de galinha e xixo, que é um misto de carne e vegetais. O campeão de vendas é o churrasquinho de gado, os domingos de sol são os mais lucrativos para o churrasqueiro.
O vendedor mora em uma rua próxima ao Parque, a maior dificuldade para trabalhar com venda de alimentos nas ruas é armazenar o produto adequadamente. A saída é levar a carne já temperada dentro da caixa térmica. O sucesso é garantido pelo preço baixo do produto que atrai a clientela, com cinco reais é possível comer dois espetinhos e uma água.

  Os jovens já descobriram a dupla jornada

 Aos de 20 anos, Amanda Santos que trabalha como atendente de telemarketing na Legião da Boa Vontade – LBV e utiliza os intervalos para fazer as unhas das colegas de trabalho. Ela que tem curso de manicure, teve a ideia em um dia que as colegas reclamavam que não tinham tempo para se arrumar, em uma sexta-feira ela decidiu levar seu kit para o trabalho e fazer as unhas de uma amiga no horário de almoço. A comodidade e vaidade feminina fizeram com que a jovem tivesse de organizar uma lista de espera entre as colegas, para que ela pudesse realmente almoçar no intervalo.
O segundo emprego faz com que ela, que mora em Guaíba, passe mais tempo na capital do que em sua casa. E nos sábados a tarde, quando ela estaria de folga, tem sempre uma colegas que reúne as amigas e convida Jerusa para ser a atração da tarde de unhas, o que garante à manicure o dinheiro o extra da semana. Ela não pensa em deixar o emprego da LBV, porque é através dele que ela construiu sua clientela.



“A Natura pra mim foi a forma de fazer com que a Juju estivesse sempre aqui comigo”

Ângela Gabriel, esteticista e dona de salão de beleza, poderia ser uma daquelas mulheres que fazem a propaganda do Natura Chronus, creme rejuvenescedor. Com  45 anos, bela, e com a pele cuidada não necessita de muitos esforços  para vender cosméticos. Mas a beleza não foi o caminho para Ângela encontrar-se com a Natura.
Ângela conta que quando teve uma colega de trabalho, a Jussara, que precisava de outras formas de ganhar dinheiro. A representação da Natura permitiu que Juju obtivesse todo o lucro. Mas Juju aos 48 anos veio a falecer devido o câncer no intestino. Ângela continuou com a representação dos produtos, e fez deste o motivo para manter Juju sempre por perto. As antigas clientes de Juju se mantiveram fiéis a Ângela, apesar da esteticista ter mudado de endereço.
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