domingo, 8 de junho de 2014

Insetos vulneráveis, plantas protegidas



A biotecnologia utiliza seres vivos para produzir variedades de plantas geneticamente modificadas. Nesse processo uma planta pode receber, por meio da engenharia genética, genes que oferecem resistência a insetos e tolerância a herbicidas, por exemplo. O Bacillus thuringiensis (Bt), encontrado naturalmente no solo, possui proteínas de ação inseticidas e por meio da biotecnologia essa característica passa a estar contida nas plantas Bt. As lagartas, ao consumirem plantas Bt, ingerem essa proteína e morrem.

Contudo, o uso de sementes transgênicas requer alguns cuidados, pois “essa biotecnologia atrelada ao uso de inseticidas à base de Bt pode criar insetos resistentes e causar desequilíbrio ambiental. Para evitar este problema, o manejo integrado de pragas faz-se necessário” explicou o PhD em Entomologia, José Magid Waquil. O não cumprimento das estratégias básicas de manejo também pode acarretar a perda do poder de ação da tecnologia Bt, em um futuro próximo, segundo Waquil.

O interesse por obter produtos agrícolas sustentáveis estimula o uso de estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Além das vantagens agronômicas, as variedades transgênicas favorecem a preservação da biodiversidade e diminuem a necessidade de aplicação de defensivos químicos.

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas criou o Informativo Técnico de Boas Práticas Agronômicas Aplicadas a Plantas Geneticamente Modificadas Resistente a Insetos. Este sistema preventivo foi detalhado pelo pesquisador José Magid Waquil, na Expodireto Cotrijal 2014.  O painel foi dirigido a um seleto público de expositores de diversas empresas do setor de sementes.

O manejo de plantas e insetos invasores é composto pela adoção seis  práticas básicas:
1)    Dessecação Antecipada. A palhagem seca sobre o solo é uma forma de proteção e facilita o plantio. A dessecação da área evita o crescimento de plantas daninhas, E impede que a cultura antecessora torne-se hospedeira de pragas.
 2)    Tratamento de Sementes. A seleção de germinantes busca o controle  de pragas subterrâneas e aéreas e evita perdas de produtividade causadas pelo ataque de invasores.
3)  Implementação de Áreas de refúgio.  Anexa à lavoura, é recomendável cultivar plantas sem transgenia. As áreas de cultura sem tecnologia Bt irão manter as espécies sensíveis a herbicidas com base Bt. Através do acasalamento de insetos resistentes e suscetíveis a suscetibilidade é perpetuada e mantém a eficácia da biotecnologia.
4)    Controle de Plantas Daninhas e Voluntárias. Algumas ervas podem ser importantes hospedeiras de insetos e pragas. Para a prevenção da proliferação dessas, sugere-se evitar: áreas de pousio (solo sem plantas; começar a cultura em área dessecada; utilizar defensivos na dose e no momento corretos e realizar manejo químico pós colheita.
 5)    Monitoramento de Pragas e tomada de decisão. Aconselha-se, antes da aplicação de inseticidas, avaliar os possíveis danos e prejuízos no cultivar. Se houver necessidade de realizar mais de uma aplicação, recomenda-se intercalar produtos com modo de ação diferente.
 6)    Rotação de Culturas. Recomenda-se alternar o plantio de diferentes culturas na mesma área. A escolha das espécies deve levar em consideração os fatores econômicos, pragas, doenças adubação, etc.

O cumprimento dessa série de recomendações aumenta a produtividade. Além de melhorar as condições de solo,  reduzir os focos de doenças e  eliminar a população inicial de alguns invasores, com o manejo também é possível utilizar herbicidas de princípios ativos diferentes.

No ano passado falou-se muito da destruição de lavouras pelo ataque da Helicoverpa, ocasionando grande repercussão. O controle de invasores não era um tema muito popular nas pautas políticas, até a descoberta desta praga que destruiu um representativo volume de grãos na última safra. Waquil explicou que o fato impactou até mesmo as autoridades, “dificilmente o Ministro da Agricultura falava em combate de pragas, agora até a presidente Dilma fala de Helicoverpa armigera”. A exposição teve seu lado positivo, segundo ele, porque os investimentos nas pesquisas ligada a agricultura foram valorizados.

Apesar da frequente relação entre a Helicoverpa e a soja, ela ataca muitas outras culturas, inclusive o milho. Este fato justifica o cuidado de identificar possíveis focos, mesmo antes de iniciar um novo cultivo. Evitando que culturas consecutivas não sofram a mesma infestação.

O pesquisador salienta que quando uma invasora está em evidência, pode haver um descuido no controle de outras pragas. Desta forma, ao fiscalizar focos de infestação deve-se ter preocupação igual com todos os possíveis problemas. As pragas-alvo atacam em momentos diferentes durante a vida da planta, confira no quadro abaixo o momento em que cada invasora ataca a soja e o milho, principais culturas do Estado. (foto na página 4 do informativo técnico).

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