Artigo
Grayce Delai - grayce.delai@gmail.com
A classe C é formada por mais de 100 milhões de pessoas, esta faixa social é formada por pessoas com renda domiciliar entre R$1064,00 e R$ 4591,00, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Esse público ascendente economicamente tem se tornado alvo frequente de propaganda e até mesmo de empresas que têm adaptado seu produto a essa faixa econômica de consumidores, que corresponde à 55,5% de toda a população nacional.
Tendo visão do poder de compra desta população emergente, a agência de publicidade WMcCann Ericson realizou uma pesquisa para traçar o perfil da Classe C do Brasil. A fim de verificar quais produtos e empresas são alvo do consumo destes brasileiros. E nesta pesquisa surgiram definições não esperadas, como por exemplo que a internet diminui a desigualdade social. Essa pesquisa foi divulgada com o título de 8 verdade. São elas:
- As marcas proporcionam inspiração, mas as pessoas comuns são a melhor fonte para validação
- Uma compra bem feita deixa os consumidores emergentes “cegos” diante das outras possibilidades da internet em auxiliar nas finanças.
- O aumento do uso da internet promove igualdade social de forma mais rápida do que o aumento na renda e da qualidade da educação.
- O consumidor emergente tem a percepção de que diversas ferramentas digitais estão disponíveis para tudo de que precisa.
- As redes sociais não são apenas para relacionamentos, os entrevistados informaram que as utilizam para negócios, carreira e a família.
- Marcas ainda têm espaço, a internet tem portas abertas para que as marcas construam vínculos com o consumidor emergente.
- Consumidores emergentes fazem da internet um lugar para trocar preocupações e aprendizados.
- Os consumidores emergentes vêem o digital como um aliado para a adoção de hábitos mais saudáveis.
Este estudo mostra que a classe média tradicional e a emergente já não são tão diferentes ao usar a internet. O consumidor emergente já pensa no digital como um aliado. Em seu livro Cibercultura de 1999, Pierre Lévy já afirmava que era possível "achar praticamente tudo e qualquer coisa na internet". A pesquisa 8 Verdade mostra, ainda, que não são as tecnologias e as redes sociais que determinam como se navega pela internet, são as intenções que as pessoas têm. A internet tem um espaço infinito, onde um apanhado de coisas se mistura, de modo que, torna-se impossível analisar sua versatilidade em um só artigo. Essa diversidade se aloca no ciberespaço.
O ciberespaço é meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (LÉVY, 1999, p.17)
O autor ainda relembra que " A cada minuto que passa, novas pessoas passam a acessar a internet, novos computadores são interconectados, novas informações sao injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna 'universal' ". A internet levou essa universalidade até a área econômica, a prova disso é essa aproximação entre os interesses das classe mais altas com a classe emergente.
Pierre Lévy explica que "uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais.". Mas hoje sabe-se que redes sociais são as principais pontes que ligam os indivíduos às instituições sociais e estruturam suas biografias em inserções sociais que garantem suas identidades. Mas no meio digital as redes sociais ocorrem na internet. Uma das principais redes usadas pelos consumidores emergentes, ainda, é o Orkut. Raquel da Cunha Recuero, em seu artigo: Redes sociais na Internet, considerações iniciais, define Orkut, “o software é uma espécie de conjunto de perfis de pessoas e suas comunidades. Desenvolvido com base na idéia de "software social", ali é possível cadastrar-se e colocar fotos e preferências pessoais, listar amigos e formar comunidades.” De fácil manipulação o software é a rede social com maior número de acessos, até hoje, no Brasil, graças a classe C.
Foi com base nas 8 verdades que foi produzida uma revista eletrônica, para a disciplina de Projeto Experimental Online, da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, fazendo uso do Projeqt, uma plataforma Storytelling. Para demonstrar como a Classe C se comporta no dia a dia, ao utilizar a internet, foi utilizado o exemplo do cabeleireiro Wander Weis, um cidadão classe C, usuário padrão de redes sociais. Ele tem um perfil no Orkut, e utiliza seu álbum virtual como forma de divulgar seu trabalho. O Orkut é um sistema de rede social que permite a interação entre indivíduos, o usuário cria um perfil no sistema, e inclui informações pessoais, e pode pode postar fotos, filiar-se a comunidades de interesse e adicionar outros perfis à sua lista de amigos. Weis insere os melhores cortes e penteados em sua página pessoal e por meio desta as clientes conhecem seu trabalho e já chegam ao salão de beleza sabendo o que querem que seja feito para melhorar seu visual.
A estratégia de marketing realizada por Weis certamente não foi embasada em uma teoria de difícil entendimento, mas foi bem elaborada e garantiu ao profissional uma melhor divulgação de seu trabalho. Isto mostra que a Classe C pode não ter condições de contratar uma boa empresa de marketing, mas solucionam suas questões com um uso similar. Enquanto um empresário da classe A tem uma empresa de grande porte, o da classe C tem a sua de pequeno porte, mas ambos tem a mesma capacidade de gerir seus negócios, e alavancar seus ganhos com o uso da internet, basta utilizar criatividade e ter boa visão de mercado, dos alvos da publicidade gratuita.
A grande diferença entre sites de redes sociais e outras formas de
comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem
a visibilidade e articulação das redes sociais, a manutenção dos
laços sociais estabelecidos no espaço off-line. (Recuero p.102
Não se pode negar que a internet tem facilitado a vida da população, até mesmo de quem não tem condições financeiras de pagar uma taxa alta para um provedor. As ferramentas de internet tem fácil manipulação, e as redes sociais tem se tornado um perfeito local para encontrar clientes, com a diminuição dos custos de conexão a internet, os brasileiros a cada dia tem aderido mais a estas redes. Tornando-se este o novo local para divulgação de portfólios e de formação de parcerias de trabalho. As redes sociais aliam o trabalho ao lazer.
Essa parceria entre trabalho e lazer pode ser melhor explicada com outro case usado na revista eletrônica. A maquiadora Maria Moura e utiliza o Youtube para aprender novas técnicas com tutoriais que encontra na rede, este é um exemplo de como a internet auxilia o profissional a aprender. A mídia social onde Maria busca atualizar-se é o Youtube, que "Foi criado em 2005 com objetivo de possibilitar às pessoas compartilharem seus vídeos de viagens. E foi com surpresa que viram o seu site se tornar um portal para outra dimensão. O YouTube® chegou à marca de 100 milhões de vídeos assistidos por dia em Julho de 2006” (Fortes, 2006), quando então foi comprado pela empresa Google, e tornou-se mais conhecido ainda. A cada dia que passa, são colocados, novos arquivos de vídeo digital, à disposição de quem quer assisti-los. Entre entretenimento e lazer, é possível aprender com esta mídia, assim como faz Maria, que consegue aprender novas técnicas apenas visualizando outras pessoas serem maquiadas. A profissional costuma buscar esses tutoriais a cada nova estação, quando normalmente são lançadas novas tonalidades de cores.
Referências Bibliograficas:
FUNDACAO GETULIO VARGAS, Pesquisa a Nova Classe Media, visualizada em 20/11/2011 em http://www.fgv.br/cps/ncm/
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, Panorama de Evolução da Renda e Classes Econômicas, visualizada em 19/11/2011 em http://www3.fgv.br/ibrecps/credi3/TEXTO_panorama_evolucao.htm
LÉVY, Pierre, tradução: Carlos Irineu da Costa. Cibercultura, 1999. Editora 34 São Paulo/SP.
RECUERO, Raquel da Cunha. Redes sociais na Internet, considerações iniciais. visualizado em 19/11/2011 em http://www.bocc.ubi.pt/pag/recuero-raquel-redes-sociais-na-internet.pdf
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